quarta-feira, 25 de setembro de 2013

23 Princípios Táticos do Jogo.

Neste preciso momento, se percorrermos as várias bibliotecas em busca de livros que possam ajudar a compreender a organização tática do futebol, é muito provável que vamos encontrar poucos ou nenhum livro acerca o assunto. Infelizmente existe um défice muito elevado no mercado naquilo que diz respeito à mecânica do futebol, seja organização tática ou treino, optando a maior parte dos autores que ainda publicam alguma coisa, escrever apenas superficialmente acerca o assunto. É de fato, difícil encontrar excelentes livros de futebol.

Desta forma, para facilitar a pesquisa do leitor, decidi reunir em apenas um artigo, os princípios gerais, operacionais e fundamentais ou específicos do futebol, para que seja mais fácil encontrar muita informação em apenas um texto. Não será desta vez que vou aprofundar cada um dos princípios, será numa próxima vez, mas será muito importante compreender qual a utilidade de cada grupo de princípios.

       Princípios gerais de jogo

       Em todas as fases do jogo existe um confronto entre os jogadores da nossa equipe e os jogadores da equipe adversária. Estes princípios são assim nomeados porque são comuns a todas essas fases do jogo, independente se a nossa equipe tem a bola ou não. São apenas três e procuram gerir a quantidade de jogadores numa determinada zona do campo em comparação com a quantidade de jogadores adversários nessa zona do campo. São eles:

       1- Não permitir a inferioridade numérica
       2- Evitar a igualdade numérica
       3- Procurar criar a superioridade numérica


       Através destes três princípios de jogo, na construção do nosso modelo de jogo, devemos desenhar as zonas do campo onde é provável que a equipe vá disputar a bola. Então, nessas zonas do campo e dependendo da fase em que a equipe se encontra, devemos sempre tentar seguir estes princípios de jogo. Por exemplo, se a nossa equipe atacando e busca cruzamento por um corredor lateral, existem duas zonas muito importantes: a zona de finalização, em frente ao gol, e o corredor lateral onde se encontra a bola. Em ambas as situações, se possível, devemos pelo menos criar igualdade numérica entre jogadores das duas equipes. No corredor lateral, o nosso objetivo é evitar coberturas defensivas por parte da equipe adversária, pois isso fará um jogador oponente tentar o desarme. Na zona de finalização, aumenta a dificuldade da equipe adversária em ocupar espaços de forma equilibrada. (Referências: Queiroz, 1983; Garganta, Pinto 1994)

       Princípios Operacionais de jogo

       Claude Bayer (1994, p. 145) definiu 10 princípios operacionais no futebol. Esses princípios regulam as ações dos jogadores em diferentes fases do jogo, mas não são comuns a todas elas. Estão divididos em dois grupos, onde cinco princípios pertencem ao processo ofensivo e cinco princípios pertencem ao processo defensivo. Os princípios operacionais de jogo são:

 Quando a equipe tem a posse de bola

       4- Conservar a bola
       5- Construir ações ofensivas
       6- Progredir pelo campo de jogo adversário
       7- Criar situações de finalização
       8- Finalizar ao gol adversário
Quando a equipe não tem a posse de bola

       9-  Impedir a progressão do adversário
       10- Reduzir o espaço de jogo adversário
       11- Proteger o gol
       12- Anular as situações de finalização
       13- Recuperar a bola
       Estes princípios não se impõem pelas zonas do campo ou se é fora ou dentro do centro de jogo.  Impõe-se sim, pela situação de jogo e pelo objetivo dessa situação de jogo. Por exemplo, vamos distinguir duas equipes com métodos ofensivos totalmente diferentes: uma com ataque posicional e outra com contra-ataque. A primeira joga sempre em bloco alto para se manter perto da baliza adversária e a segunda em bloco baixo, para ter espaço livre para percorrer com a bola. Então, a primeira tenta recuperar a bola longe da própria baliza e a segunda perto da própria baliza, e o mesmo equivale para a redução de espaços. A equipe que ataca posicionalmente reduz o espaço ao adversário com vista a recuperar a bola perto do alvo, para criar uma situação de finalização rapidamente, e a equipe que contra-ataca reduz o espaço próximo do próprio gol para recuperar a bola com espaço para progredir. Apesar dos objetivos serem diferentes, os princípios operacionais de cada uma das situações de jogo são exatamente os mesmos.

       Princípios fundamentais ou específicos de jogo

       Estes princípios têm a utilidade de orientar individualmente o jogador em prol da equipe. Estão relacionados diretamente ao centro de jogo, buscando uma solução para que a equipe possa levar a bola para zonas mais importantes do terreno. Estes princípios orientam o comportamento do portador da bola, do primeiro opositor, dos colegas de equipe do portador da bola e dos restantes adversários. Os princípios são:

 Para a equipe com a posse de bola

       14- Penetração
       15- Cobertura Ofensiva
       16- Mobilidade
       17- Espaço
       18- Unidade Ofensiva
Para a equipe sem a posse de bola

       19- Contenção
       20- Cobertura defensiva
       21- Equilíbrio
       22- Concentração
       23- Unidade defensiva
        Geralmente,  num centro de jogo, existem sempre dois grupos de jogadores por equipe: o de posse da bola e os colegas, no lado da equipe de posse de bola, e o primeiro oponente e os seus colegas, na equipe sem posse de bola. Sempre verificamos que o portador da bola procura progredir no campo, cumprindo assim o princípio da penetração. Quanto ao primeiro opositor, deve colocar-se entre a bola e o gol, tal como indica o princípio da contenção. Os restantes colegas destes dois jogadores colocam-se em posição que seja favorável a estes dois jogadores, cada um em apoio ao jogador da sua equipe. Um pequeno aparte nestes princípios são os princípios das unidades ofensiva e defensiva. Em ambos os casos se procura relacionar a organização ofensiva e defensiva de ambas as equipes, onde se procura o equilíbrio posicional entre os jogadores da mesma equipe. ( Referências: Worthington, 1974; Hainaut, Benoit, 1979; Queiroz, 1983; Garganta, Pinto, 1994; Castelo, 1999)

       Conclusão

       Atribuindo valor a cada um dos princípios de jogo, é fácil chegar a um contexto para criar o nosso modelo de jogo. Através da análise prévia de uma equipe, é possível reconhecer quais são as zonas mais prováveis do campo onde acontecerão determinadas ações. Através dos princípios de jogo, podemos atribuir uma resolução a cada uma dessas ações no campo, de forma a aumentar a probabilidade da nossa equipe alcançar o gol.  Numa outra situação, aprofundaremos estes vinte e três princípios de jogo, mas por agora, ficaremos por aqui.

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