Primeiro passo: identifique o sistema tático em que a equipe está a jogando
Quando construímos uma casa, começamos sempre por baixo e não pelo telhado. Com um relatório de uma equipe, acontece exatamente da mesma forma. Observando o adversário, devemos identificar em qual sistema tático está a jogando, como por exemplo em 1-4-3-3, ou 1-4-4-2, ou 1-3-4-3, ou seja qual for. Nunca devemos analisar outro fator que não seja o sistema tático, porque, ao reconhecer a base da organização de uma equipe, podemos encontrar mais facilmente os seus pontos fracos e fortes. Através do reconhecimento do sistema tático utilizado por uma equipe, facilmente encontramos as movimentações, os posicionamentos de base e as possíveis estratégias que essa equipe utiliza. Compreender também como funcionam as linhas de marcação, certamente será uma excelente ajuda na observação da equipe.
Segundo passo: identifique os grandes princípios de jogo
Pessoalmente, considero este passo muito importante, pelo simples fato que os grandes princípios de jogo ditam quase tudo acerca uma equipe. Por exemplo, uma equipe que tem como princípio para recuperar a bola, a pressão em zonas mais adiantadas, tem um ponto fraco na sua linha defensiva, obriga-nos a circular a bola com velocidade e segurança, e as transições terão de ser rápidas, e provavelmente, verticais. Apenas identificando o princípio da pressão em zonas adiantadas do campo, facilmente escolhemos uma estratégia para o nosso jogo.
Terceiro passo: reconheça quais são os comportamentos em cada momento de jogo
Uma coisa são princípios, que se estendem a todos ou alguns momentos de jogo. Outra coisa são comportamentos específicos de cada momento de jogo. Devemos, então, analisar como a equipe se comporta coletivamente em cada momento de jogo, para que possamos compreender que vantagens e desvantagens temos quando jogarmos contra essa equipe em cada momento de jogo. Por exemplo, se uma equipe pressiona forte no seu meio-campo defensivo no momento defensivo, e tenta fazer a bola chegar a dois ou três jogadores na transição ofensiva, devemos criar uma organização coletiva que impeça a bola de alcançar esses jogadores, seja recuperando ou interceptando a mesma.
Quarto passo: Identifique as funções de cada jogador
Se já sabemos qual é o sistema tático em que joga uma equipe, que às vezes demora apenas alguns segundos, será mais fácil reconhecer as funções dos jogadores. Por exemplo, reconhecendo que o adversário joga em 1-4-3-3 com triângulo de base alta, sabemos que tem apenas um médio defensivo e podemos encontrar a função desse médio defensivo, como por exemplo, se fica sempre perto dos defesas centrais ou se participa ativamente no ataque. A função de cada jogador deve ser reconhecida em cada momento de jogo. Isto quer dizer que cada jogador tem comportamentos próprios em cada momento do jogo, e estes comportamentos devem ser reconhecidos individualmente para cada um dos adversários. Desta forma, sabemos o que vai fazer cada jogador em campo, e podemos criar movimentações na nossa equipe que antecipem cada movimento de cada adversário, diminuindo a sua capacidade de ação.
Quinto passo: Encontre as características individuais dos adversários
Isto será especialmente útil para criar zonas de pressão estratégicas. Por exemplo se um dos médios é lento em situações de 1 x 1, sendo facilmente ultrapassado por um jogador que tenha técnica e velocidade de execução elevadas, então nada melhor do que utilizar o nosso médio com essas duas características e colocá-lo frente a frente com o médio adversário. Como vantagens, temos: o médio é frequentemente driblado; vão surgir imensas faltas causadas na zona onde esses dois jogadores se encontrarem; após algum tempo em desequilíbrio defensivo, outros jogadores ajudarão o médio em dificuldades. Isso representa que deixaram espaços livres, que podemos explorar.
Sexto passo: Identifique os comportamentos habituais da equipe
A estes comportamentos, podemos também chamar de padrões de jogo. Nem sempre é fácil, e por vezes, só por repetição em vídeo podemos identificar quais são os padrões de jogo de uma equipe. No entanto, não é impossível identificá-los, mas é extremamente importante. Pessoalmente, considero que os padrões de jogo devem ser identificados à parte dos princípios e comportamentos da equipe. Não só porque são jogadas melhor treinadas que as restantes, como às vezes são variações dos princípios da equipe, seja para jogar em criatividade, seja para criar dinâmica na sua forma de jogar. Ao reconhecer cada um destes processos ou padrões de jogo, podemos preparar uma estratégia para os parar antes que a equipe adversária os conseguir realizar.
Sétimo passo: Analise as bolas paradas
Jorge Jesus refere, e com razão, que as bolas paradas são o quinto momento de jogo. Concordo plenamente, porque não fazia sentido não atribuir esta importância a uma parte do jogo onde muitos jogos são resolvidos. Analisar profundamente, os escanteios, as faltas diretas e indiretas, os arremessos laterais e os tiro de meta, não só pode fazer com que a nossa equipe impeça a estratégia adversária, como recuperar a bola e assumir o controlo do jogo.
Oitavo passo: identifique a variação de comportamentos e atitudes ao longo da partida
Certamente, se costuma seguir algumas equipes com frequência, já reconheceu que existem momentos do jogo em que essas equipes tem quebra de ritmo. Por exemplo, algumas equipes têm uma pequena quebra de ritmo após o intervalo, outras precisam ainda de criar ritmo no início da partida, assim como existem aquelas equipes que tem altos e baixos ao longo de uma partida. Se o treinador sabe em quais momentos a equipe vai ter uma quebra de ritmo, sabe que pode aproveitar esses momentos para pedir ritmo elevado à sua equipe, uma vez que nesses momentos, a equipe adversária se apresenta debilitada.
Conclusão
Não é necessário seguir à risca cada um dos itens de um relatório de jogo pré-preparado. Por vezes, esses relatórios são feitos para outra pessoa, preparados para a sua visão de jogo e para as suas ideias. Evite cair nesse erro, de seguir um modelo de análise alheio onde as suas ideias não coincidem, pois pode ter a certeza que no final, ficará incompleto. Existem dezenas de modelos de análise que podemos encontrar pelo mundo inteiro, e nem todos eles vão de encontro com a forma como vemos um jogo e a que coisas damos importância. Isso não significa que possamos encontrar um modelo de relatório com o qual nos identificamos, mas o melhor remédio é mesmo fazer as análises à nossa maneira.


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