segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

DESEJOS PARA VOCE
 EM  2014

Que você faça da vida um jogo de futebol:
Chute as tristezas, drible as dificuldades e marque gols de alegria.

Entre o novo ano lembrando que: o verdadeiro campeão não é aquele que chega em primeiro, mas sim aquele que supera seus próprios limites.

Que os novos 365 dias sejam de constantes superações.
Mais uma etapa e com ela a sua subida diária ao trampolim do sucesso.

Siga o novo ano tendo como lema:
Campeões não são feitos em academias. Campeões são feitos de algo que eles têm profundamente dentro de si, 
ou seja, um desejo, um sonho, uma visão.

Enfim, desejo que você faça parte somente do grupo dos campeões.

E que a luz da esperança, em um novo tempo, ilumine nossos caminhos na busca de grandes conquistas! Feliz 2014.

Estas e muitas outras metas,  é o que eu desejo
para você e toda sua família. 


Treinador Prof. Esp. Adailton Nunes

domingo, 20 de outubro de 2013

Como criar um Sistema de Jogo de sucesso.


Como existem muitas variáveis que a nossa equipe vai enfrentar durante a temporada, nem sempre é possível escolher com exatidão, o melhor sistema de jogo. As vezes, escolhemos um estilo de jogo, e no meio da temporada alteramos para outro, porque não conseguimos obter os resultados desejados. Mas, independentemente do estilo de jogo que escolhemos para a nossa equipe, podemos mudar os princípios que escolhemos para o nosso modelo de jogo, mas nunca pode ser excluída a ligação entre cada um dos momentos.

Sempre que prepararmos um modelo de jogo, vamos imediatamente escolher um Sistema de Jogo que está na moda. Por exemplo, pressão alta e muita posse de bola, tal e qual o FC Barcelona, tem sido um estilo discutido e copiado por várias equipes. Mas, será esse o segredo do sucesso da equipe espanhola? A resposta é não. Na verdade, o sucesso traduz-se pela capacidade da equipe em usar os vários momentos de jogo e não pela forma como os trabalha.

      Será que os Sistemas de Jogo são bem desenhados?

Quando preparamos um modelo de jogo, temos à nossa disposição, vários princípios e comportamentos que podemos escolher para a nossa equipe. Podemos escolher vários sistemas táticos, vários princípios de jogo e várias jogadas que pretendemos que a nossa equipe faça em cada situação de jogo. Porém, muitos treinadores cometem o erro de escolher uma estratégia para um momento de jogo, e escolher uma estratégia completamente diferente para outro momento diferente. Por exemplo, o treinador escolhe o contra-ataque como método ofensivo, mas prepara a equipe para recuperar a bola com as linhas baixas, com todos os jogadores, ou seja, não existe ninguém para receber a bola no campo ofensivo quando esta é recuperada, e correm pelo campo com a bola no pé. Após alguns contra-ataques, os jogadores encontrar-se-ão fatigados porque percorrem muito espaço várias vezes. Neste caso, a forma como a equipe defende e ataca, leva os jogadores a ficarem cansados fisicamente, vai diminuir o rendimento passados alguns minutos de jogo. Não existe um encaixe tático entre o momento defensivo da equipe e a transição ofensiva.

Mas, se a equipe recuperar a bola na sua zona defensiva, mas já tiver alguns jogadores mais adiantados a quem pode passar a bola, não só alivia um pouco da pressão adversária como o jogador que recupera a bola tem para quem passar a bola e não precisa correr pelo campo. Assim, não só a equipe evita perder tempo a levar a bola para o campo ofensivo, como não se desgasta tanto. Neste caso, existe um encaixe tático entre momento defensivo e transição ofensiva.

       Como desenhar um bom modelo de jogo?

 Sendo assim, não será importante compreender qual é a ligação entre os vários Sistemas de Jogo, mas como é feita essa ligação. Cada Sistema de Jogo pode englobar diferentes princípios de jogo. Podemos também criar uma ligação entre os vários princípios de jogo. Sem grandes exemplos, vamos supor que temos o princípio A, princípio B e o princípio C. Num determinado Sistema de Jogo, o principio A pode ser relacionado com o princípio B, mas não pode ser relacionado com o princípio C. Não teria resultado porque não se encaixam. Já noutro modelo de jogo, o mesmo princípio A apenas pode ser relacionado com o princípio C, porque a forma como a equipe trata a bola nos diferentes momentos de jogo é totalmente diferente.

 Então, um Sistema de Jogo de sucesso não depende apenas dos princípios, mas da forma como estes relacionam entre si. Para criar um Sistema de Jogo de sucesso, precisamos determinar como queremos que a equipe jogue nos vários momentos de jogo, desde que cada um dos comportamentos se encaixe com os vários comportamentos nos outros momentos de jogo. A importância da criação do Sistema de Jogo, é ter várias estratégias disponíveis para os jogos, e ao mesmo tempo, ter vários processos que se relacionem entre si e que possam colocar as várias estratégias em prática.

Isto quer dizer que, para um jogo, vamos utilizar uma estratégia, e para outro jogo, vamos utilizar outra estratégia. Os nossos jogadores devem ser capazes de colocar ambas as estratégias em prática, através da ligação correta entre os vários Sistemas de Jogo. Se os jogadores não forem capazes de fazer essa ligação, aumenta o desgaste, o tempo de ação e diminui a concentração dos jogadores. Consequentemente, os resultados serão negativos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

7 segredos para se tornar um jogador profissional de futebol

Muitos jovens sonham um dia em tornar-se jogadores profissionais. A possibilidade de ganhar muito dinheiro com futebol, de ser famoso e ter uma vida feliz, é vista pelos jovens como um sonho, e para praticamente todos eles, o futebol é o único meio capaz de fazer alcançar esse sonho. Porém, existe um caminho muito longo para percorrer, as vezes complicado e que exige paciência, mas que não é impossível. Desta forma, apresento alguns conselhos aqueles que um dia pretendem ser jogadores profissionais.

     1- Ter muita vontade
       Enquanto somos novos, temos a capacidade de aprender e evoluir. Estamos no momento exato de adquirir as bases, uma vez que, quando adultos, temos obrigações com a nossa vida e não temos a mesma capacidade de aprender como os novos. Então, nesta idade, o jovem deve sempre tentar jogar o máximo, não só para que lhe sejam dadas mais oportunidades, como para se fazer passar pelo maior número possível de situações com a bola. É justamente por passar por muitas situações que o atleta ganha as suas bases, ganha o seu estilo de jogo, e, a partir do momento que tem o seu próprio estilo, que é o mais difícil, evoluir para se tornar um bom jogador torna-se bem mais fácil. Se o treinador notar que o atleta não tem muita vontade de jogar, faça-o passar por situações onde é obrigado a interagir com a bola e com o jogo, onde é obrigado a se concentrar. Se o atleta reconhece que está com pouca vontade de jogar, peça ao treinador para que este não o deixe relaxar, e exigir dele até se sentir mais capaz de si mesmo.
  
       2- Espaço para aprender
       É muito importante interagir com a bola e com o jogo, não só para os jovens como para os adultos. Não é fácil criar as bases corretas para o estilo de determinado jogador. Por exemplo, um atacante pode jogar caindo para os flancos, quando na realidade teria muito mais resultado mantê-lo junto ao gol. Esta ] jogando num estilo diferente do seu próprio estilo. Para o jovem atleta, o melhor que o treinador pode fazer, é ensinar-lhe a jogar em várias situações, mas deixá-lo jogar ao seu estilo. Tentar extrair o máximo desse atleta, mas ao seu próprio estilo. Isto acontece, porque cada um de nós tem a nossa forma de ver o mundo e a nossa capacidade de resolver os nossos problemas. Uns sabem resolver de uma forma, outros sabem resolver de outra forma, e se mudarem o seu estilo, é provável que não saibam dar as respostas certas aos problemas que se sucedem. Um jogador, numa situação de 2x1, pode sentir-se muito mais confortável do que jogar no 1x1 e deixar o seu colega de equipe pra cobertura defensiva, e mesmo que perca a bola tentar recuperá-la com o seu colega, do que jogar em mobilidade com o seu colega para ultrapassar esse adversário. Já outro jogador sente-se mais confortável  jogar em mobilidade do que tentar ultrapassar o jogador adversário. São estilos diferentes, que ambos podem dar resultado.

       3- Conselhos
       Na minha forma de ver o futebol, penso que os jogadores deviam ter um limite salarial. Compreendo que esse valor lhes seja pago pela vantagem que os clubes têm com esses jogadores, acredito também que alguns jogadores são absurdamente pagos com valores muito elevados, dinheiro esse para os quais não estão prontos para administrar. Por exemplo, jogadores com 15 anos pensam em ganhar milhões quando tiverem 18 anos, mudam de escola de formação para uma que julgam melhor e acabam por perder a carreira toda, porque deixaram de ter as mesmas oportunidades que tiveram até agora. Outros, com 21 anos, querem abandonar os seus clubes, querem ir para clubes maiores e ganhar mais, criam uma gama de problemas nos clubes que representam e acabam encostados para o lado, correndo o risco de perder a sua carreira. Se os expoentes máximos do futebol, impedissem os jovens jogadores de ganhar mais do que um determinado valor, e se as escolas de formação tivessem os seus próprios agentes de futebol, direcionados para a carreira do atleta e não para a sua conta bancária, talvez o futebol se torna-se mais agradável ainda. Infelizmente, muitos jogadores nunca se irão tornar jogadores profissionais, pelo simples fato que foram mal aconselhados.

       4- Horas de treino
       Não me lembro de nenhum jogador que se tenha tornado profissional do dia para a noite, nem me lembro de nenhum trabalhador que se tenha tornado profissional da mesma forma. Ser profissional, exige muito tempo e trabalho, exige passar por muitas situações de jogo. O atleta, enquanto é novo, não tem a pressão de ganhar e pode aproveitar o tempo para passar pelo número máximo de situações e aprender resolvê-las. Quando se torna mais velho, essas situações são mais difíceis, e se não for capaz de pensar e resolver rapidamente, perante a pressão de ser obrigado a vencer, facilmente a sua carreira passará ao lado. O jogador, enquanto novo, deve aprender a resolver as situações, para que seja capaz de resolver no jogo, quanto for mais velho. Jogadores profissionais são capazes de resolver situações difíceis porque já passaram por situações idênticas e lembram-se mais facilmente da resposta correta que devem dar a cada uma dessas situações
    
       5- Estímulos
       Este é o melhor treino que o atleta deve ter. Ao que chamo futebol de rua, atribuo imenso valor a esse estilo, porque o jogador é estimulado no futebol de rua. Aprende a jogar ao seu estilo no futebol de rua. Realmente, vemos muita gente a atribuir muito valor ao futebol de rua, mas eu não atribuo tanto valor quanto isso. Na realidade, atribuo pouco valor a treinos estáticos, onde o jogador não tem espaço nem tempo para experimentar coisas novas com a bola, não tem espaço para jogar de determinada forma, é obrigado a jogar de outra forma qualquer e não é estimulado para a natureza que o seu organismo apresenta. O treino dos jovens, antes de serem treinados para ganhar, devem ser treinados para evoluir, mesmo que implique perderem jogos. Os pais dos jovens jogadores devem também apoiar-los para evoluir, jogando até futebol com eles em casa, e compreenderem que os seus filhos estão ali para aprender e não para vencer. Se o treinador fizer os jogadores passarem por muitas situações fáceis e variadas, certamente que o atleta vai ser um jogador polivalente e capaz de resolver imensas situações, apenas porque aprendeu a dar resposta a essas situações.

        6- Oportunidades
       Nenhum jogador pode se tornar profissional se não tiver oportunidades para isso. Mesmo com muito futebol de rua, nenhum jogador vai ser um grande atleta se praticar futebol de rua até aos 20 anos de idade e não participou em nenhum clube. Todos os jogadores precisam de oportunidades, não só de uma ou duas, mas de muitas e muitas oportunidades. Experimentar um jogador uma vez, não implica que esse jogador mostre logo tudo o que tem. Talvez esse jogador não se sinta confortável logo de início, porque não somos todos iguais. Mas, se esse jogador tiver mais oportunidades, e mesmo que falhe, demonstre vontade de evoluir, certamente que esse jogador pode se tornar profissional, não só porque tem vontade. A alta competição é muito diferente do treino, tome nota disso.
        
        7- Disciplina
       As vezes os jogadores têm uma vontade imensa de lhes fazer o que lhes aparece. Mas devem ser ensinados a lutar contra isso. O ser humano é feito de hábitos e zonas de conforto. Isso são estados mentais, que orientam a mente a fazer determinadas tarefas em vez de outras. Por exemplo, um jogador tem uma habilidade formidável no passe em profundidade. Mas, até agora, os únicos estímulos que obteve foram passes simples. Nesse jogador foi criado o hábito dos passes simples, e para este fazer passes em profundidade, tem de sair da sua zona de conforto. A zona de conforto representa o que este indivíduo sente-se capaz de fazer, e tudo o que estiver fora da sua zona de conforto, esse indivíduo hesitará a fazer. Logo, o nosso atleta hesitará no momento dos passes em profundidade, porque não está habituado a fazê-los.

domingo, 13 de outubro de 2013

Pressão, cobranças e coração a mil: a estressante vida dos técnicos

Psicóloga diz que carga de trabalho de treinadores é mais alta que

média e rítmo elevado pode causar problemas de saúde aos 

comandantes

A vida dos técnicos no futebol brasileiro está longe de ser fácil. Se por um lado recebem altos salários, por outro são sempre alvo de torcedores e dirigentes quando os resultados não acontecem, recebendo diariamente uma carga pesada de cobranças. O desgaste emocional é tanto que alguns sentem na pele, como o técnico do Botafogo Oswaldo de Oliveira, de 62 anos, que teve uma arritmia cardíaca no dia 5 de outubro, na derrota do Botafogo para o Grêmio, por 1 a 0, e saiu do Maracanã direto para o hospital. Há dois anos, quem passou por uma situação delicada foi Ricardo Gomes, de 46 anos, que sofreu por um AVC durante uma partida entre Vasco e Flamengo, no Engenhão, e até hoje faz tratamento. O Esporte Espetacular entrou em campo e aferiu os batimentos cardíacos dos técnicos Dorival Júnior, do Vasco, e Marcelo Martelotte, do Náutico, na última rodada (veja os detalhes na reportagem abaixo).
A rotina é intensa. Além dos treinamentos diários, eles precisam pensar, muitas vezes de forma solitária, táticas e opções para cada jogo. Durante as partidas ficam à beira do campo, gritam, xingam, caminham de um lado para o outro, sofrem e comemoram. Tudo isso faz com que o coração deles tenha alterações nos batimentos cardíacos. Para a psicóloga Ana Maria Rossi, diretora da Isma-BR, associação sem fins lucrativos voltada à pesquisa e ao desenvolvimento da prevenção e do tratamento do estresse, os treinadores trabalham mais do que devem e por isso, muitas vezes, acabam tendo problemas de saúde.
Oswaldo de Oliveira Botafogo e Grêmio (Foto: Marcelo Fonseca / Agência estado)
Oswaldo passou por um momento delicado
(Foto: Marcelo Fonseca / Agência estado)
- Os técnicos trabalham mais horas do que qualquer outra profissão. São 80, 85 por semana contra 60, 65 de altos executivos. Antes de uma partida, ele pode ficar excessivamente ansioso, excessivamente angustiado, e isso pode inclusive alterar o comportamento dele com os jogadores - analisa Ana Maria.
Outra pressão se deve à cultura de alta rotatividade dos clubes brasileiros. Não é comum um técnico ficar muito tempo dirigindo uma determinada equipe por aqui. Até essa rodada, vinte treinadores já foram demitidos ou pediram demissão na Série A. Apenas Marcelo Oliveira (Cruzeiro), Tite (Corinthians), Cuca (Atlético-MG) e Oswaldo de Oliveira (Botafogo) estão no comando de seus clubes desde o início do ano.
- Eu sempre vou para um clube sabendo que vou sair. Pode durar um mês, dois meses, um ano ou dois anos, como aconteceu no Goiás, mas sei que na próxima rodada isso pode acontecer - analisou Enderson Moreira, técnico do Goiás desde 2011.
Ricardo Gomes passa mal no clássico entre Vasco e Flamengo (Foto: Reprodução TV)
Ricardo Gomes pasou mal durante o clássico entre
Vasco e Flamengo, em 2011 (Foto: Reprodução TV)
A grande maioria deles é de ex-jogadores e teve uma vida saudável a maior parte do tempo. Porém, o nervosismo excessivo por conta do ritmo multiplica as chances de acontecer algum problema de saúde. Muitos fazem atividade física para diminuir o risco e manter uma vida saudável. É o caso de Felipão, que ao lado do inseparável auxiliar Murtosa adotou a caminhada como um exercício importante no dia a dia.
- É para aquele estresse do quarto, do jogo, passar. Aquilo é para sair do local em que eu estou, mudar um pouco a rotina - contou o técnico da Seleção.
O estresse que pode se transformar em um problema físico não escolhe pessoa e nem idade. Tanto que Ricardo Gomes foi vítima de um AVC aos 46 anos e Oswaldo de Oliveira de uma arritmia cardíaca aos 62. O ritmo de trabalho acelerado pode causar danos à saúde tanto para os mais novos quanto para os mais velhos.
- O  estresse é o mesmo para os mais jovens, os mais experientes, os mais antigos na profissão e que ja passaram mais por essa situação - disse Marcelo Martelotte, técnico do Náutico.

domingo, 6 de outubro de 2013

Como analisar uma equipe de futebol em 8 passos

       Primeiro passo: identifique o sistema tático em que a equipe está a jogando
       
Quando construímos uma casa, começamos sempre por baixo e não pelo telhado. Com um relatório de uma equipe, acontece exatamente da mesma forma. Observando o adversário, devemos identificar em qual sistema tático está a jogando, como por exemplo em 1-4-3-3, ou 1-4-4-2, ou 1-3-4-3, ou seja qual for. Nunca devemos analisar outro fator que não seja o sistema tático, porque, ao reconhecer a base da organização de uma equipe, podemos encontrar mais facilmente os seus pontos fracos e fortes. Através do reconhecimento do sistema tático utilizado por uma equipe, facilmente encontramos as movimentações, os posicionamentos de base e as possíveis estratégias que essa equipe utiliza. Compreender também como funcionam as linhas de marcação, certamente será uma excelente ajuda na observação da equipe.

       Segundo passo: identifique os grandes princípios de jogo

        Pessoalmente, considero este passo muito importante, pelo simples fato que os grandes princípios de jogo ditam quase tudo acerca uma equipe. Por exemplo, uma equipe que tem como princípio para recuperar a bola, a pressão em zonas mais adiantadas, tem um ponto fraco na sua linha defensiva, obriga-nos a circular a bola com velocidade e segurança, e as transições terão de ser rápidas, e provavelmente, verticais. Apenas identificando o princípio da pressão em zonas adiantadas do campo, facilmente escolhemos uma estratégia para o nosso jogo.

        Terceiro passo: reconheça quais são os comportamentos em cada momento de jogo

       Uma coisa são princípios, que se estendem a todos ou alguns momentos de jogo. Outra coisa são comportamentos específicos de cada momento de jogo. Devemos, então, analisar como a equipe se comporta coletivamente em cada momento de jogo, para que possamos compreender que vantagens e desvantagens temos quando jogarmos contra essa equipe em cada momento de jogo. Por exemplo, se uma equipe pressiona forte no seu meio-campo defensivo no momento defensivo, e tenta fazer a bola chegar a dois ou três jogadores na transição ofensiva, devemos criar uma organização coletiva que impeça a bola de alcançar esses jogadores, seja recuperando ou interceptando a mesma.

       Quarto passo: Identifique as funções de cada jogador
       
Se já sabemos qual é o sistema tático em que joga uma equipe, que às vezes demora apenas alguns segundos, será mais fácil reconhecer as funções dos jogadores. Por exemplo, reconhecendo que o adversário joga em 1-4-3-3 com triângulo de base alta, sabemos que tem apenas um médio defensivo e podemos encontrar a função desse médio defensivo, como por exemplo, se fica sempre perto dos defesas centrais ou se participa ativamente no ataque. A função de cada jogador deve ser reconhecida em cada momento de jogo. Isto quer dizer que cada jogador tem comportamentos próprios em cada momento do jogo, e estes comportamentos devem ser reconhecidos individualmente para cada um dos adversários. Desta forma, sabemos o que vai fazer cada jogador em campo, e podemos criar movimentações na nossa equipe que antecipem cada movimento de cada adversário, diminuindo a sua capacidade de ação.

       Quinto passo: Encontre as características individuais dos adversários

       Isto será especialmente útil para criar zonas de pressão estratégicas. Por exemplo se um dos médios é lento  em situações de 1 x 1, sendo facilmente ultrapassado por um jogador que tenha técnica e velocidade de execução elevadas, então nada melhor do que utilizar o nosso médio com essas duas características e colocá-lo frente a frente com o médio adversário. Como vantagens, temos: o médio é frequentemente driblado; vão surgir imensas faltas causadas na zona onde esses dois jogadores se encontrarem; após algum tempo em desequilíbrio defensivo, outros jogadores ajudarão o médio em dificuldades. Isso representa que deixaram espaços livres, que podemos explorar.

        Sexto passo: Identifique os comportamentos habituais da equipe

       A estes comportamentos, podemos também chamar de padrões de jogo. Nem sempre é fácil, e por vezes, só por repetição em vídeo podemos identificar quais são os padrões de jogo de uma equipe. No entanto, não é impossível identificá-los, mas é extremamente importante. Pessoalmente, considero que os padrões de jogo devem ser identificados à parte dos princípios e comportamentos da equipe. Não só porque são jogadas melhor treinadas que as restantes, como às vezes são variações dos princípios da equipe, seja para jogar em criatividade, seja para criar dinâmica na sua forma de jogar. Ao reconhecer cada um destes processos ou padrões de jogo, podemos preparar uma estratégia para os parar antes que a equipe adversária os conseguir realizar.

        Sétimo passo: Analise as bolas paradas

       Jorge Jesus refere, e com razão, que as bolas paradas são o quinto momento de jogo. Concordo plenamente, porque não fazia sentido não atribuir esta importância a uma parte do jogo onde muitos jogos são resolvidos. Analisar profundamente, os escanteios, as faltas diretas e indiretas, os arremessos laterais e os tiro de meta, não só pode fazer com que a nossa equipe impeça a estratégia adversária, como recuperar a bola e assumir o controlo do jogo.

       Oitavo passo: identifique a variação de comportamentos e atitudes ao longo da partida

       Certamente, se costuma seguir algumas equipes com frequência, já reconheceu que existem momentos do jogo em que essas equipes tem quebra de ritmo. Por exemplo, algumas equipes têm uma pequena quebra de ritmo após o intervalo, outras precisam ainda de criar ritmo no início da partida, assim como existem aquelas equipes que tem altos e baixos ao longo de uma partida. Se o treinador sabe em quais momentos a equipe vai ter uma quebra de ritmo, sabe que pode aproveitar esses momentos para pedir ritmo elevado à sua equipe, uma vez que nesses momentos, a equipe adversária se apresenta debilitada.

       Conclusão

       Não é necessário seguir à risca cada um dos itens de um relatório de jogo pré-preparado. Por vezes, esses relatórios são feitos para outra pessoa, preparados para a sua visão de jogo e para as suas ideias. Evite cair nesse erro, de seguir um modelo de análise alheio onde as suas ideias não coincidem, pois pode ter a certeza que no final, ficará incompleto. Existem dezenas de modelos de análise que podemos encontrar pelo mundo inteiro, e nem todos eles vão de encontro com a forma como vemos um jogo e a que coisas damos importância. Isso não significa que possamos encontrar um modelo de relatório com o qual nos identificamos, mas o melhor remédio é mesmo fazer as análises à nossa maneira.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Aprenda a motivar os jogadores com 6 dicas especiais


             Muitas pessoas procuram ideias para motivar a suas equipes, seja esta de futebol ou de outra modalidade esportiva qualquer. Uma das perguntas mais frequentes que encontramos por ai é "como fazer um discurso motivador?". Um discurso motivador, apenas terá efeito nos jogadores, se estes já se encontrarem motivados. É como relembrá-los que são capazes de entrar em ação e fazer as coisas bem. Porém, mesmo o melhor discurso do mundo não terá motivação se o jogador foi mal treinado durante a semana. Experimente motivar um atleta que não jogou nem está preparado para jogar. Pode sentir-se motivado por algum tempo, mas é muito provável que não esteja realmente motivado, pois existe uma grande diferença entre estar motivado e sentir-se motivado. Através destas 6 dicas, vou explorar algumas dessas "armas de motivação"

       Primeira dica - Elogie Sempre
       O elogio é uma das mais fortes armas da motivação e da boa relação entre vários indivíduos. Elogiar os outros fará eles oferecerem um pouco mais daquilo que nós elogiamos. É um componente psicológico muito utilizado, que penetra no inconsciente do indivíduo, levando-o a reconhecer o que está certo ou errado. Por exemplo, vamos supor que vamos treinar dois jogadores em dois exercícios iguais. A um jogador, elogiamos sempre que ele faz algo bem. Ao outro jogador, não elogiamos nada. Pode ter a certeza que o jogador que elogiou evoluirá muito mais depressa que o outro jogador.
  

       Segunda dica - Tenha uma forma de trabalhar
       Não adianta pedir o esforço de ninguém se não mostrar primeiro como fazer. Não adianta pedir aos jogadores para jogar de determinada forma, se ainda não aprenderam a jogar dessa forma nem são orientados para jogar dessa forma. Se pretende ter os jogadores a jogando motivados, faça-os perceber como deseja que eles joguem e treine-os para isso. Apenas o treino por objetivos, fazendo-os evoluir e fazendo ver um objetivo na sua evolução pode ter sucesso na motivação dos atletas, pois os jogadores sempre fazem a pergunta "Para quê?". Se tiverem a resposta, estarão motivados, podem estar certos disso.

       Terceira dica - Esqueça as frases dos outros vencedores
       A não ser que saiba utilizar corretamente uma frase que encontrar por aí, nunca repita nenhuma frase de nenhum vencedor. Se disser uma ou outra vez, não faz mal algum, mas se repetir várias frases de vários vencedores quando esta tentando motivar os seus atletas, muitos deles reconhecerão essas frases, e verão o treinador como um sonhador e não como um lutador. A diferença é que um sonhador não vence. E nenhum liderado profissional pretende ter um líder que não sonha um dia ganhar alguma coisa.

       Quarta dica - Mantenha o comando, mas saiba ouvir
       Não estou a dizendo para ser rabugento ou ignorante naquilo que os jogadores pedem. Deixe-os falar, e se não gostar da sugestão, apenas diga não e apresente uma razão muito simples para rejeitar a sugestão dada. Desta forma, o jogador saberá que o treinador o ouviu (equivale a sentir-se valorizado) e reconhecerá quem é o líder do grupo (não passará dos limites). Muitas vezes parece que as pessoas nos testam naquilo que nós fazemos. Uma idéia, pode ser um desses testes, e se responder mal, perderá algum valor para essa pessoa. Ficar calado, as vezes não ajuda. Neste caso, se uma idéia é realmente um teste, rejeitar a idéia representa manter o comando do grupo, que significa passar no teste que o jogador lhe fez. Recordo, testes partem na grande maioria do inconsciente das pessoas


       Quinta dica - Ouça uma boa, obrigatoriamente
       Não estou brincando. Cada um de nós tem um estilo de música favorito. Sertanejo é um dos meus favoritos, que ouço várias vezes quando estou escrevendo artigos ou a organizando a minha vida pessoal ou profissional. Por exemplo neste momento estou ouvindo Jorge e Matheus, "Amo noite e dia". Aquilo que eu aconselho mesmo é gozar os seus momentos sozinho, ao som de uma boa música enquanto organiza a sua vida. Isso recarregará as suas energias e o fará ir para o treino com mais confiança. É esse o segredo.

       Sexta dica - Não desperdice um minuto de trabalho
       Um líder é um comandante de uma equipe, e a equipe será construída à sua imagem. Se o líder é batalhador, a equipe também será. Um treinador, tem que chegar mais cedo que os jogadores para preparar o treino, evitando contra-tempos que por ventura venham ocorrer. É vantajoso ser bem organizado no trabalho, de forma a não perder tempo,  que será ganho para treinar os jogadores. E como sabemos, o tempo para os treinar é sempre pouco. Garanta a possibilidade que os jogadores, ao entrar em campo,  seja apenas para jogar bola.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Diferenças entre bom jogador de futebol e crack


Em muitos casos, o talento não corresponde ao desempenho de um atleta. Jogadores maravilhoso tecnicamente, apenas em equipes menores, sem glória. Tudo o que temos em mente, os jogadores com virtudes impressionantes sem reconhecimento na elite. A diferença entre eles, concentra-se em sua mente, sua vontade de vencer e melhorar.

Cristiano Ronaldo, com 17 anos, foi um grande jogador de futebol. Ele tinha um físico invejável, drible e velocidade. Durante várias temporadas, ele deu o seu melhor desempenho nas grandes corridas. Em momentos-chave, a ansiedade dominou o jogo dele. Sua mentalidade mudou, marcou no Camp Nou e o pesadelo tornou-se seu melhor cenário.
Guti, um dos melhores caseiros "de fábrica". Ninguém duvidava de seu talento com a bola nos pés, mas sua mente piscando o fez pagar caro. Ele nunca consolidou-se como indiscutível jogador, teve uma carreira cheia de luzes e sombras.
Navas, em sua juventude, tinham concentrações de pânico longos. Por esta razão, ele levou anos para se juntar chegar equipe nacional. Felizmente, finalmente limpou a mente e é importante na seleção e jogador do City.
Estes são alguns exemplos, existem muitos mais. Para vencer, você precisa da força mental, porque há momentos sempre difíceis. O vencedor vai ver em cada desafio uma oportunidade de excelência. Sem capacidade de sofrimento, você não pode atingir os objetivos. Enquanto a cabeça persiste, o físico também responde, é melhor ter uma cabeça privilegiada. Conviver com pressão, as expectativas, no centro do furacão, apenas um grupo seleto pode.
Se você quer ser vencedor, comece mudando seus hábitos mentais. Se você se vê como um vencedor, você vai acabar sendo. Se você acha que você cair, você vai cair muitas vezes.
Como diz um ditado chinês: "Se você cair sete vezes, levante-se oito".

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

23 Princípios Táticos do Jogo.

Neste preciso momento, se percorrermos as várias bibliotecas em busca de livros que possam ajudar a compreender a organização tática do futebol, é muito provável que vamos encontrar poucos ou nenhum livro acerca o assunto. Infelizmente existe um défice muito elevado no mercado naquilo que diz respeito à mecânica do futebol, seja organização tática ou treino, optando a maior parte dos autores que ainda publicam alguma coisa, escrever apenas superficialmente acerca o assunto. É de fato, difícil encontrar excelentes livros de futebol.

Desta forma, para facilitar a pesquisa do leitor, decidi reunir em apenas um artigo, os princípios gerais, operacionais e fundamentais ou específicos do futebol, para que seja mais fácil encontrar muita informação em apenas um texto. Não será desta vez que vou aprofundar cada um dos princípios, será numa próxima vez, mas será muito importante compreender qual a utilidade de cada grupo de princípios.

       Princípios gerais de jogo

       Em todas as fases do jogo existe um confronto entre os jogadores da nossa equipe e os jogadores da equipe adversária. Estes princípios são assim nomeados porque são comuns a todas essas fases do jogo, independente se a nossa equipe tem a bola ou não. São apenas três e procuram gerir a quantidade de jogadores numa determinada zona do campo em comparação com a quantidade de jogadores adversários nessa zona do campo. São eles:

       1- Não permitir a inferioridade numérica
       2- Evitar a igualdade numérica
       3- Procurar criar a superioridade numérica


       Através destes três princípios de jogo, na construção do nosso modelo de jogo, devemos desenhar as zonas do campo onde é provável que a equipe vá disputar a bola. Então, nessas zonas do campo e dependendo da fase em que a equipe se encontra, devemos sempre tentar seguir estes princípios de jogo. Por exemplo, se a nossa equipe atacando e busca cruzamento por um corredor lateral, existem duas zonas muito importantes: a zona de finalização, em frente ao gol, e o corredor lateral onde se encontra a bola. Em ambas as situações, se possível, devemos pelo menos criar igualdade numérica entre jogadores das duas equipes. No corredor lateral, o nosso objetivo é evitar coberturas defensivas por parte da equipe adversária, pois isso fará um jogador oponente tentar o desarme. Na zona de finalização, aumenta a dificuldade da equipe adversária em ocupar espaços de forma equilibrada. (Referências: Queiroz, 1983; Garganta, Pinto 1994)

       Princípios Operacionais de jogo

       Claude Bayer (1994, p. 145) definiu 10 princípios operacionais no futebol. Esses princípios regulam as ações dos jogadores em diferentes fases do jogo, mas não são comuns a todas elas. Estão divididos em dois grupos, onde cinco princípios pertencem ao processo ofensivo e cinco princípios pertencem ao processo defensivo. Os princípios operacionais de jogo são:

 Quando a equipe tem a posse de bola

       4- Conservar a bola
       5- Construir ações ofensivas
       6- Progredir pelo campo de jogo adversário
       7- Criar situações de finalização
       8- Finalizar ao gol adversário
Quando a equipe não tem a posse de bola

       9-  Impedir a progressão do adversário
       10- Reduzir o espaço de jogo adversário
       11- Proteger o gol
       12- Anular as situações de finalização
       13- Recuperar a bola
       Estes princípios não se impõem pelas zonas do campo ou se é fora ou dentro do centro de jogo.  Impõe-se sim, pela situação de jogo e pelo objetivo dessa situação de jogo. Por exemplo, vamos distinguir duas equipes com métodos ofensivos totalmente diferentes: uma com ataque posicional e outra com contra-ataque. A primeira joga sempre em bloco alto para se manter perto da baliza adversária e a segunda em bloco baixo, para ter espaço livre para percorrer com a bola. Então, a primeira tenta recuperar a bola longe da própria baliza e a segunda perto da própria baliza, e o mesmo equivale para a redução de espaços. A equipe que ataca posicionalmente reduz o espaço ao adversário com vista a recuperar a bola perto do alvo, para criar uma situação de finalização rapidamente, e a equipe que contra-ataca reduz o espaço próximo do próprio gol para recuperar a bola com espaço para progredir. Apesar dos objetivos serem diferentes, os princípios operacionais de cada uma das situações de jogo são exatamente os mesmos.

       Princípios fundamentais ou específicos de jogo

       Estes princípios têm a utilidade de orientar individualmente o jogador em prol da equipe. Estão relacionados diretamente ao centro de jogo, buscando uma solução para que a equipe possa levar a bola para zonas mais importantes do terreno. Estes princípios orientam o comportamento do portador da bola, do primeiro opositor, dos colegas de equipe do portador da bola e dos restantes adversários. Os princípios são:

 Para a equipe com a posse de bola

       14- Penetração
       15- Cobertura Ofensiva
       16- Mobilidade
       17- Espaço
       18- Unidade Ofensiva
Para a equipe sem a posse de bola

       19- Contenção
       20- Cobertura defensiva
       21- Equilíbrio
       22- Concentração
       23- Unidade defensiva
        Geralmente,  num centro de jogo, existem sempre dois grupos de jogadores por equipe: o de posse da bola e os colegas, no lado da equipe de posse de bola, e o primeiro oponente e os seus colegas, na equipe sem posse de bola. Sempre verificamos que o portador da bola procura progredir no campo, cumprindo assim o princípio da penetração. Quanto ao primeiro opositor, deve colocar-se entre a bola e o gol, tal como indica o princípio da contenção. Os restantes colegas destes dois jogadores colocam-se em posição que seja favorável a estes dois jogadores, cada um em apoio ao jogador da sua equipe. Um pequeno aparte nestes princípios são os princípios das unidades ofensiva e defensiva. Em ambos os casos se procura relacionar a organização ofensiva e defensiva de ambas as equipes, onde se procura o equilíbrio posicional entre os jogadores da mesma equipe. ( Referências: Worthington, 1974; Hainaut, Benoit, 1979; Queiroz, 1983; Garganta, Pinto, 1994; Castelo, 1999)

       Conclusão

       Atribuindo valor a cada um dos princípios de jogo, é fácil chegar a um contexto para criar o nosso modelo de jogo. Através da análise prévia de uma equipe, é possível reconhecer quais são as zonas mais prováveis do campo onde acontecerão determinadas ações. Através dos princípios de jogo, podemos atribuir uma resolução a cada uma dessas ações no campo, de forma a aumentar a probabilidade da nossa equipe alcançar o gol.  Numa outra situação, aprofundaremos estes vinte e três princípios de jogo, mas por agora, ficaremos por aqui.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

5 Dicas para realizar a transição ofensiva com sucesso

       Claramente todos reconhecemos que não é só de organização tática que se constrói uma equipe de futebol. Existem várias vertentes diferentes que o treinador precisa saber para que a equipe possa lidar com vários fatores e evoluir progressivamente. Os leitores mais fiéis da nossa comunidade já reconheceram porque razão os assuntos dos artigos são variados. Treino, Psicologia e Organização tática são as três categorias principais que aqui discutimos, mas é organização tática que vamos estudar desta vez.

       José Mourinho sempre valorizou as transições de jogo como momentos cruciais para a organização da equipe. Se a transição for bem efetuada, a equipe estará corretamente posicionada para jogar. Para o exemplo deste artigo, se a equipe realizar a transição ofensiva de forma correta, os jogadores estão melhores posicionados para construir ações ofensivas de qualidade. Isto é, se pretendemos atacar por um lado do campo e colocamos nesse lado, jogadores capazes de atacar como queremos, é mais provável que esses jogadores consigam levar a bola até zonas mais adiantadas do terreno, onde é possível a equipe criar mais e melhores situações de finalização. Segue uma lista de tópicos, diferenciando com os passos para criar uma transição ofensiva de qualidade.

       1. Obter informações detalhadas a cerca do adversário

       Infelizmente, nem sempre é possível entrar em um jogo conhecendo como o nosso adversário vai jogar, principalmente em equipes de base. Mas é possível obter essas informações durante a partida de futebol, analisando como o nosso adversário está  ogando. A partir das informações colhidas, podemos traçar uma forma para a equipe realizar a transição ofensiva. Como está jogando nosso adversário? Pressiona muito no nosso meio-campo ou deixa jogar livremente? Onde cria as zonas de maior pressão? Quais são os jogadores fundamentais na organização adversária? E como podemos desorganizar essa organização defensiva? Habitualmente, se demoramos imenso tempo a levar a bola ao ataque (transição ofensiva) ou se a levamos pelos meios errados, é possível que o adversário esteja pronto para defender, o que diminui as chances de criar uma finalização bem sucedida. Por outro lado, se formos rápidos de mais, pode haver o risco de fazer uma jogada precipitada e a nossa equipe não estar pronta para defender. Através destas informações podemos definir qual é o nosso ritmo de jogo para levar a bola ao ataque, de forma equilibrada tanto defensivamente quando ofensivamente.

       2. Analisar as informações recolhidas

       Sabendo como joga nosso adversário, apenas precisamos procurar um encaixe tático entre a nossa equipe e a equipe adversária. Revemos quais são os processos que temos disponíveis na nossa equipe, isto é, os que já treinamos previamente durante a semana, e escolhemos aqueles que vão de encontro aos pontos fracos do nosso adversário. Por exemplo, a habilidade da nossa equipe é a amplitude de jogo, temos extremas fortes tecnicamente, e dois jogadores que sempre vão à área adversária vindos de trás, que finalizam bem ao primeiro toque mas são fracos no jogo aéreo. E para o adversário, temos uma equipe que pressiona muito no nosso meio-campo, mas é igualmente fraca no jogo aéreo em frente ao nosso gol. Bem, juntando estas duas informações, podemos criar um processo ofensivo que possa colocar a bola nos extremas (tal como a equipe ataca em amplitude) e levar um jogador de cada lado do campo a apoiar o extrema quando este recebe a bola.


       Analisando as informações que temos acerca do nosso adversário, podemos explorar os seus pontos fracos e encontrar uma forma de os explorar. A importância da análise de informações detalhadas acerca do nosso adversário, reside em evitar perca de tempo e desgaste desnecessário a tentar levar a bola até ao gol sem resultado.

       3. Escolher uma forma de atacar

       Através da análise já feita, já sabemos quais são os pontos fracos do adversário (jogo aéreo) a defender e como este tenta impedir a bola de lá chegar (forte pressão a meio-campo). Desta forma, sabemos que será importante ganhar a bola no meio-campo para evitar a pressão adversária, assim como após o meio-campo, levar a bola para um dos extremas da nossa equipe, que será apoiado por um jogador. A troca de flanco, seja pelo ar ou pelo chão, será uma excelente ideia para utilizar neste jogo, não só porque retira a bola da zona de pressão (e haverá muitas zonas de pressão), como a coloca num espaço vazio onde podemos progredir no terreno para alcançar os extremas. Então a nossa transição ofensiva será feita através da manutenção da posse de bola.

       4. Escolher as movimentações e os posicionamentos

       Se já sabemos como vamos atacar, devemos agora organizar os jogadores. Peço atenção a um pormenor muito importante: a transição ofensiva deve coincidir com o momento ofensivo. Atendendo a isto, precisamos criar movimentações dos jogadores que possam levar os extremas a ser bem servidos e apoiados em momento ofensivo, tal como a liberar espaço para a entrada dos dois jogadores. Vamos começar pelos extremas e vamos pensar assim: vamos fazer troca de flanco na transição ofensiva e apoiar o extrema no momento ofensivo. Nada melhor que ter o lateral subindo. Assim ao receber a bola e estará pronto para apoiar no momento ofensivo. Agora, para organizar a entrada dos dois jogadores, também precisamos de um plano.


        Podemos criar aleatoriamente na entrada desses jogadores. Ora um deles tanto apoia o extrema do seu lado do campo, e entra o outro para finalizar, como apenas entra um e o outro fica atrás para receber a bola no pé, ou ainda entram os dois para finalizar. Através da movimentação de apenas dois jogadores ainda durante a transição ofensiva, temos três opções diferentes no momento ofensivo para tratar da bola. A isso, incluímos também a imprevisibilidade da equipe através da forte mobilidade dos nossos jogadores.

       5. Obter o feedback da decisão escolhida

       Durante o jogo, escolhemos a nossa movimentação e posicionamento para a nossa transição ofensiva, de forma que seja possível levar a bola ao ataque e explorar os pontos fracos adversários. Mas só no jogo poderemos saber se a decisão foi ou não a mais acertada. O nosso dever é voltar ao primeiro passo aqui descrito, observar a analisar o adversário e reconhecer se devemos manter o nosso processo de jogo ou se devemos fazer alterações. Se pudermos atribuir princípios que regem as decisões do treinador, o princípio do feedback seria um dos princípios fundamentais da organização de jogo por parte do treinador.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Confira 3 dicas essenciais para melhorar o rendimento da sua equipe

Desde o início de qualquer coisa que façamos, começamos sempre pelo básico, ou pelas bases se preferirem chamar. Nas aulas de língua portuguesa ou brasileira, onde estudamos o nosso idioma, a primeira coisa que nos ensinam é o abecedário para depois aprendermos a ler. Na matemática, aprendemos os números, para depois aprendermos a fazer contas. Desta forma, vamos de encontro a três bases do alto rendimento, compreendendo o que representa cada uma dessas bases para criar uma equipe vencedora



       Primeira dica: aprenda a fazer exercícios

       Desde que foi dado o primeiro treino no futebol, que o treino é visto como um recurso para melhorar o atleta. Em outros tempos, a condição física era creditada como base de sucesso do rendimento do jogador. Hoje, acredita-se que a base do sucesso é a organização tática, técnica, inteligência, entre outros, incluindo também a forma física. Mudam-se os tempos, mudam-se as formas de trabalhar e de ver o futebol, mas o treino nunca foi posto de lado. Através do exercício, coordenado com outros exercícios, coordenado com o que pede a realidade do futebol, coordenado com o que pede o modelo de jogo ou a ideia do treinador, é possível modelar o atleta para aquilo que queremos dele. Por exemplo, através de um exercício, podemos: aumentar o poder físico do atleta; melhorar a capacidade técnica; motivar o jogador; ensiná-lo a querer mais do jogo, a querer vencer; e são agora tantas coisas que podemos modelar num jogador através de um exercício que podíamos dedicar um artigo só a este tema.

       Pessoalmente, acredito que treinar é uma habilidade e treinar bem é uma arte. Nem todos os treinadores são capazes de treinar bem, porque treinar já não é apenas desenhar exercícios. Tem sempre mais por trás. Treina-se o físico, que é o mais fácil, treina-se o técnico, treina-se o tático, e por fim treina-se o psicológico, que é o mais difícil. É fácil desenhar exercícios. Porém, o difícil é encaixá-los uns nos outros, onde, à medida que o treinador vai evoluindo ou trocando os exercícios, o jogador evolui para um modelo de jogador que esse objetivo pretende. Por exemplo, neste artigo, traçamos uma idéia de jogo e alguns exercícios para tentar alcançar essa idéia de jogo.

       Segunda dica: estude a periodização tática

       Mais falada que compreendida. A periodização tática é neste momento, o melhor método de treino que existe, ou então é considerado por muitos o melhor método de treino que existe. Relaciona a capacidade física, técnica, psicológica e tática do atleta, treinando-as em conjunto, sempre com a vertente tática a "orientar" as outras três capacidades do jogador. Através da periodização tática, dividimos o treino em iguais períodos, onde de semana a semana, o período de treino é o mesmo e os objetivos do treino são os mesmos. Num dia treina-se um princípio de jogo por exemplo, no outro dia treina-se outro principio de jogo. Na semana seguinte, faz-se exatamente o mesmo treino, onde o primeiro princípio é treinado no primeiro dia, e o segundo princípio é treinado no segundo dia. No entanto, de semana a semana, diferem os sub-princípios relacionados com cada um desses princípios de jogo, alternando os exercícios e as lições que os jogadores vão aprendendo. Vamos supor que numa quarta feira, treinamos a saída de jogo em amplitude. Na primeira semana, treinamos a saída pelas laterais, na segunda semana, pelo centro, e na terceira semana, juntamos as duas. O que acontece aqui é que, em todas as quartas feiras, treinamos a saída de jogo, mas de semana a semana, variamos os estímulos do treino, para aquilo que nós queremos evoluir nos jogadores. 

       Terceira dica: aprenda a espiar adversários

       Nem sempre é fácil saber como o adversário vai jogar. Tanto pode ser por não termos quem analise os adversários, como pode ser por culpa da diretoria, que não quer gastar dinheiro em alguém que analise o adversário. Porém isso é muito importante, e quando mais e melhor conhecermos o adversário, melhor podemos preparar o próximo jogo. Sabendo da importância de modelar o jogador através do exercício correto, como foi visto acima, podemos preparar os jogadores para aquilo que queremos que eles façam durante o próximo jogo. Se queremos que eles ataquem por um lado do campo, podemos servir-nos de exercícios posicionais para os incentivar a atacar por esse lado do campo. A ideia aqui, é conhecer um adversário, traçar uma estratégia para o enfrentar e treiná-lo de forma que os jogadores joguem a nossa estratégia. Pessoalmente valorizo imensamente a observação dos adversários, porque nos dá uma vantagem para o próximo jogo, unicamente porque vamos bem preparados para o jogo. Isto, claro, se soubermos relacionar o relatório do adversário com o treino. 

       Feito isto, penso que apenas resumindo e juntando estas três categorias, é possível ter um olhar profundo da relação entre elas. Através de exercícios corretos, treino bem efetuado e preparação para o próximo jogo, é relativamente fácil encontrar o alto rendimento ou melhorar o rendimento da equipe.