terça-feira, 24 de setembro de 2013

5 Dicas para realizar a transição ofensiva com sucesso

       Claramente todos reconhecemos que não é só de organização tática que se constrói uma equipe de futebol. Existem várias vertentes diferentes que o treinador precisa saber para que a equipe possa lidar com vários fatores e evoluir progressivamente. Os leitores mais fiéis da nossa comunidade já reconheceram porque razão os assuntos dos artigos são variados. Treino, Psicologia e Organização tática são as três categorias principais que aqui discutimos, mas é organização tática que vamos estudar desta vez.

       José Mourinho sempre valorizou as transições de jogo como momentos cruciais para a organização da equipe. Se a transição for bem efetuada, a equipe estará corretamente posicionada para jogar. Para o exemplo deste artigo, se a equipe realizar a transição ofensiva de forma correta, os jogadores estão melhores posicionados para construir ações ofensivas de qualidade. Isto é, se pretendemos atacar por um lado do campo e colocamos nesse lado, jogadores capazes de atacar como queremos, é mais provável que esses jogadores consigam levar a bola até zonas mais adiantadas do terreno, onde é possível a equipe criar mais e melhores situações de finalização. Segue uma lista de tópicos, diferenciando com os passos para criar uma transição ofensiva de qualidade.

       1. Obter informações detalhadas a cerca do adversário

       Infelizmente, nem sempre é possível entrar em um jogo conhecendo como o nosso adversário vai jogar, principalmente em equipes de base. Mas é possível obter essas informações durante a partida de futebol, analisando como o nosso adversário está  ogando. A partir das informações colhidas, podemos traçar uma forma para a equipe realizar a transição ofensiva. Como está jogando nosso adversário? Pressiona muito no nosso meio-campo ou deixa jogar livremente? Onde cria as zonas de maior pressão? Quais são os jogadores fundamentais na organização adversária? E como podemos desorganizar essa organização defensiva? Habitualmente, se demoramos imenso tempo a levar a bola ao ataque (transição ofensiva) ou se a levamos pelos meios errados, é possível que o adversário esteja pronto para defender, o que diminui as chances de criar uma finalização bem sucedida. Por outro lado, se formos rápidos de mais, pode haver o risco de fazer uma jogada precipitada e a nossa equipe não estar pronta para defender. Através destas informações podemos definir qual é o nosso ritmo de jogo para levar a bola ao ataque, de forma equilibrada tanto defensivamente quando ofensivamente.

       2. Analisar as informações recolhidas

       Sabendo como joga nosso adversário, apenas precisamos procurar um encaixe tático entre a nossa equipe e a equipe adversária. Revemos quais são os processos que temos disponíveis na nossa equipe, isto é, os que já treinamos previamente durante a semana, e escolhemos aqueles que vão de encontro aos pontos fracos do nosso adversário. Por exemplo, a habilidade da nossa equipe é a amplitude de jogo, temos extremas fortes tecnicamente, e dois jogadores que sempre vão à área adversária vindos de trás, que finalizam bem ao primeiro toque mas são fracos no jogo aéreo. E para o adversário, temos uma equipe que pressiona muito no nosso meio-campo, mas é igualmente fraca no jogo aéreo em frente ao nosso gol. Bem, juntando estas duas informações, podemos criar um processo ofensivo que possa colocar a bola nos extremas (tal como a equipe ataca em amplitude) e levar um jogador de cada lado do campo a apoiar o extrema quando este recebe a bola.


       Analisando as informações que temos acerca do nosso adversário, podemos explorar os seus pontos fracos e encontrar uma forma de os explorar. A importância da análise de informações detalhadas acerca do nosso adversário, reside em evitar perca de tempo e desgaste desnecessário a tentar levar a bola até ao gol sem resultado.

       3. Escolher uma forma de atacar

       Através da análise já feita, já sabemos quais são os pontos fracos do adversário (jogo aéreo) a defender e como este tenta impedir a bola de lá chegar (forte pressão a meio-campo). Desta forma, sabemos que será importante ganhar a bola no meio-campo para evitar a pressão adversária, assim como após o meio-campo, levar a bola para um dos extremas da nossa equipe, que será apoiado por um jogador. A troca de flanco, seja pelo ar ou pelo chão, será uma excelente ideia para utilizar neste jogo, não só porque retira a bola da zona de pressão (e haverá muitas zonas de pressão), como a coloca num espaço vazio onde podemos progredir no terreno para alcançar os extremas. Então a nossa transição ofensiva será feita através da manutenção da posse de bola.

       4. Escolher as movimentações e os posicionamentos

       Se já sabemos como vamos atacar, devemos agora organizar os jogadores. Peço atenção a um pormenor muito importante: a transição ofensiva deve coincidir com o momento ofensivo. Atendendo a isto, precisamos criar movimentações dos jogadores que possam levar os extremas a ser bem servidos e apoiados em momento ofensivo, tal como a liberar espaço para a entrada dos dois jogadores. Vamos começar pelos extremas e vamos pensar assim: vamos fazer troca de flanco na transição ofensiva e apoiar o extrema no momento ofensivo. Nada melhor que ter o lateral subindo. Assim ao receber a bola e estará pronto para apoiar no momento ofensivo. Agora, para organizar a entrada dos dois jogadores, também precisamos de um plano.


        Podemos criar aleatoriamente na entrada desses jogadores. Ora um deles tanto apoia o extrema do seu lado do campo, e entra o outro para finalizar, como apenas entra um e o outro fica atrás para receber a bola no pé, ou ainda entram os dois para finalizar. Através da movimentação de apenas dois jogadores ainda durante a transição ofensiva, temos três opções diferentes no momento ofensivo para tratar da bola. A isso, incluímos também a imprevisibilidade da equipe através da forte mobilidade dos nossos jogadores.

       5. Obter o feedback da decisão escolhida

       Durante o jogo, escolhemos a nossa movimentação e posicionamento para a nossa transição ofensiva, de forma que seja possível levar a bola ao ataque e explorar os pontos fracos adversários. Mas só no jogo poderemos saber se a decisão foi ou não a mais acertada. O nosso dever é voltar ao primeiro passo aqui descrito, observar a analisar o adversário e reconhecer se devemos manter o nosso processo de jogo ou se devemos fazer alterações. Se pudermos atribuir princípios que regem as decisões do treinador, o princípio do feedback seria um dos princípios fundamentais da organização de jogo por parte do treinador.

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