sábado, 31 de agosto de 2013

LANÇADA A FEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS TREINADORES DE FUTEBOL - FBTF

Com a presença de técnicos ilustres, foi lançada nesta segunda a Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol (FBTF), entidade que pretende profissionalizar, regularizar e organizar a categoria no País. Estavam lá Luiz Felipe Scolari, Emerson Leão, Falcão, Vagner Mancini, Gilson Kleina, Dorival Júnior, Oswaldo de Oliveira e Caio Júnior, entre outros. "Nós estamos conversando há um bom tempo e alimentando a ideia de que poderíamos fazer algo diferente", explica Mancini, técnico do Atlético-PR e 1º vice-presidente da entidade que será comandada por Zé Mário.
As discussões entre os treinadores foram surgindo a partir das conversas sobre as dificuldades da profissão, principalmente o excesso de trocas no comando das equipes. Uma das bandeiras que a FBTF promete levar adiante é que a rescisão contratual dos técnicos que são demitidos sejam pagas no momento da demissão, e não como uma dívida que muitas vezes leva mais de dez anos para ser quitada. "Com o contrato registrado na CBF, teríamos menos troca de comando e os clubes evitariam muitos gastos. Não olhamos apenas para nós mesmos. Em caso de dispensa antecipada, queremos o justo pagamento integral até o final do contrato, assim como qualquer outro empregado brasileiro", afirma Mancini.
Felipão, técnico da seleção brasileira, participou ativamente deste encontro e fez questão de dar seu respaldo para a entidade que nasce com a força da nova geração de treinadores brasileiros. "Esse é o primeiro passo e muitos ainda teremos de dar para chegar ao objetivo final", diz o comandante da seleção brasileira. Já Emerson Leão também acredita no potencial da entidade. "Essa nova geração tem de receber o apoio dos mais velhos. Precisamos nos tornar respeitados", complementa.
Dorival Júnior, técnico do Vasco, lembra que os profissionais não estão atrás de holofotes. "Queremos a humanização da categoria e por isso estamos dando esse passo importantíssimo. Só queremos respeito", avisa.
A partir de agora, a entidade precisa ser registrada no Ministério do Trabalho para poder colher um imposto sindical. Antes disso, existe a possibilidade de que se cobrem mensalidades para a manutenção da entidade, que conta com o apoio de sindicatos ligados ao futebol. 

10 atitudes que fazem seus comandados odiarem você

No Brasil, 36% dos comandados dizem que podem pedir demissão por causa de seus líderes. Veja quais atitudes evitar para que seus subordinados não odeiem você.

Se por um lado a liderança de uma empresa pode ser fundamental para o seu sucesso, por outro, ela pode ser a causa de um grande turnover de comandados. É o que revela uma pesquisa recente da Vagas Tecnologia, que aponta que 36% dos mais de 10 mil  comandados entrevistados no Brasil estão dispostos a pedir demissão por causa de seus líderes.


Chefe dando bronca
Líder gritando: alguns comportamentos da liderança podem ser decisivos para a retenção (ou não) de comandados na empresa 


Ainda dentro deste universo, 60% consideram seus líderes bipolares, autoritários, enroladores ou inseguros. Veja que atitudes evitar para não se enquadrar nestas avaliações e não ser odiado por seus comandados:

Achar que “manda quem pode, obedece quem tem juízo”

É o caso daquele líder que não ouve os comandados e acha que ele é o único que tem poder de decisão sobre absolutamente tudo. “A geração Y não tolera este tipo de chefia, ela foi educada de maneira diferente, ela quer participar. Isso não funciona mais”, diz Marcia Luz, autora do best seller sobre liderança “Agora é pra valer”.

Ser um líder “teflon”

Na descrição do consultor de carreiras da GDT Brasil Edson Carli, “líder teflon é aquele em que nada gruda”. É aquele que não resolve nada, apenas delega. “Se ele toma bronca, joga a responsabilidade para os comandados; se recebe alguma reclamação deles, diz que o problema só pode ser resolvido por seus superiores”.

Não se sentir parte da equipe

Na teoria, o líder deve ser aquele que protege a sua equipe e os interesses da empresa, mas na prática isso nem sempre acontece porque muitos chefes não se sentem realmente parte do grupo. “Quando recebe uma reclamação de alguém, em vez de procurar resolver, ele também reclama, desmotiva a equipe. E quando a empresa é criticada, ele acha que a culpa é dos outros comandados”, diz Carli.

Não oferecer ou não saber deixar o feedback claro

É importante que os comandados saibam quais foram seus erros e acertos dentro de um processo para poderem melhorar o seu desempenho. Porém, o feedback precisa ser claro. “O comandado precisa saber que isso é para ajudar. O ideal é descrever claramente a situação sobre a qual se quer falar, especificar a atitude que a pessoa teve naquele momento e qual foi a consequência daquele ato”, explica o sócio da Enora Leaders João Marcelo Furlan. Segundo ele, se o feedback não for objetivo, pode ser considerado injusto, um prato cheio para odiar o chefe. 

Expor os erros dos funcionários

Erros acontecem e o líder tem o papel de minimizá-los dentro da companhia e cuidar para que não aconteçam novamente. Para isso, ele precisa orientar sua equipe, tratando cada erro individualmente, segundo Carli. “Tem chefe que pega o erro de alguém e joga na reunião, para todo mundo, citando nomes”. 

Centralizar o poder

Um líder que não delega autoridade a seus comandados, que centraliza o poder, pode estar no caminho certo para despertar a raiva de seus comandados. “É um sinal de que ele não confia na equipe e não a prepara para assumir responsabilidades”, explica Marcia Luz. 

Dar muitos conselhos

“O verdadeiro líder faz perguntas para que o seu comandado encontre respostas e não dá conselhos e determina o que deve ser feito o tempo todo”, diz Marcia.

Tomar as vitórias para si mesmo

Um líder que não valoriza as pessoas dentro das conquistas tem grandes chances de ser odiado. “Não pega bem para a equipe e nem mesmo para os superiores. Cada vez mais é reconhecido o líder desenvolvedor de pessoas, que valoriza o time e motiva pelas vitórias”, destaca Furlan. 

Tratar a todos da mesma forma

“Cada indivíduo quer se sentir único. Se você colocar todo mundo no mesmo cesto, vai fazer com que as pessoas não se sintam especiais”, afirma Furlan. Segundo ele a forma de lidar deve ser diferente para cada característica do comandado. “Quando a pessoa está começando, ela tem alta motivação e pouco conhecimento. Nesta fase, é preciso direcioná-la. Já quando é alguém mais experiente, é preciso permitir que ele se desenvolva da sua própria forma”, exemplifica Furlan. 

Ser íntimo demais

“Quando uma pessoa assume uma posição de liderança, tem de ter consciência de há coisas que são permitidas e outras não. Por exemplo fazer piadas: o que é divertido para uma pessoa, pode não ser para outra”, diz Carli. 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Três razões porque muitos treinadores não encontram soluções para vencer jogos.

     A questão para o artigo de hoje é muito pertinente e a sua importância é muito elevada. Por essa razão, este artigo é de nível avançado. Confira.

        Como foi visto nos trabalhos anteriores pretendo seguir a mesma linha de pensamento e ensinar porque razão os melhores treinadores também falham, as melhores equipes também falham e os melhores jogadores também falham. Neste artigo, vou enumerar algumas razões para que isso se suceda desse jeito porque, supostamente, o melhor modelo de jogo devia vencer todos os outros modelos de jogo.


        Razão n.º 1
       
Não existem jogadores melhores nem piores. Existem jogadores mais ou menos evoluídos e mais ou menos adaptados.

       Uma vez, conheci um colega de trabalho. Nunca o tinha visto, mas já tinha ouvido falar dele, e após trabalhar  ele alguns meses, ele revelou-se um dos melhores mestre que eu tive até hoje. Não vou contar toda a história e revelar tudo o que aprendi, pois nem tudo o que ele me ensinou é adaptado ao futebol, mas deixou-me uma lição importante. Não foi um pai, nem foi um professor, foi um amigo, que se dedicou a ensinar-me. E a lição que me ensinou foi: cada um tem as suas responsabilidades.

       No futebol, seja na administração ou no campo, passa-se exatamente o mesmo. Cada indivíduo pertencente ao clube tem as suas responsabilidades, e muitas vezes, a quebra de rendimento de um indivíduo quebra o rendimento do clube. Dentro do campo, a queda do rendimento de um jogador pode ser disfarçada pelo companheiro da equipe, mas o jogador está em mau rendimento, em um único erro pode colocar em prejuízo o trabalho de equipe. Um passe mau dado, um drible em vez de um passe, uma finalização em vez de segurar a bola, são situações onde a bola é entregue ao adversário. Não saber esperar pela ocasião certa para chutar, ou esperar demasiado tempo até que não haja outra hipótese alguma para finalizar em condições também é um erro que, além de impedir o gol para sua equipe, e entrega a bola ao adversário. E entregar a bola ao adversário, é como abrir a nossa casa aos ladrões, pois estamos oferecendo a oportunidade ao nosso oponente para  vencer a partida.

       Treinadores inteligentes compreendem que cada jogador tem uma função para cumprir em campo. Uns atacam, outros defendem, embora uns ataquem quando a equipe está defendendo e outros defendem quando a equipe está a atacando. Esta relação entre atacar e defender é um grande passo para formar um bom modelo de jogo, onde muitos treinadores invariavelmente falham. Porque isso acontece? A falta de responsabilidade do treinador em escolher um modelo de jogo que potencie os atacantes quando a equipe defende e potencie os defensores enquanto a equipe ataca leva muitos jogadores a jogarem mal adaptados e mal instruídos naquilo que realmente são capazes de fazer. Para muitos treinadores, a partir do momento que aprendem o que são momentos de jogo, julgam que o momento ofensivo é para atacar e o momento defensivo é para defender. Então, atacam com todos ou defendem com todos, acabando por entregar o controle do jogo ao adversário. Está totalmente errado. Momentos defensivos servem para preparar a transição ofensiva além de defender e momentos ofensivos servem para preparar a transição defensiva além de atacar. Esta falha de responsabilidade dos treinadores leva os jogadores a falharem nas suas responsabilidades no campo. E o treinador grita, pede esforço aos jogadores, manda-os fazer coisas que não preparou e quando chega à palestra culpa os jogadores por algo que não os ensinou a fazer, culpa os jogadores por falha própria. Muitos jogadores questionam o trabalho do treinador, quando nem se lembram que responsabilidades de treinadores e jogadores são totalmente diferentes. A responsabilidade do treinador é organizar uma equipe, seguindo princípios, escolhendo estratégias, analisando resultados e tomando decisões, ensinar e treinar tudo aquilo que decidiu aos jogadores. A responsabilidade dos jogadores é procurar compreender o que pede o treinador, treinar com eficiência, entrar em campo com pensamento vencedor, e mesmo que essa não seja a sua vontade, cumprir a função que o treinador pede. O treinador não é mais importante que os jogadores e os jogadores não são mais importantes que o treinador. Todos formam uma equipe, não de onze jogadores, mas de doze membros. Sempre que vejo um treinador aos gritos pedindo coisas que os jogadores não fazem, sabemos que existe um défice de comunicação entre treinador e jogadores e sabemos que nem o treinador transmite aquilo que realmente sabe nem os jogadores são evoluídos conforme o que o seu potencial permite.


        Razão n.º 2
       
O segredo não está no meio-campo,  nem defender bem, nem atacar melhor, nem na técnica, nem no porte físico. O segredo está em controlar o momento ofensivo e o momento defensivo e saber trabalhar entre estes dois momentos.

        Existem quatro momentos no jogo: momento ofensivo, momento defensivo, transição ofensiva e transição defensiva, e como é sabido, a ordem destes momentos é imprevisível durante uma partida de futebol. A pior coisa que qualquer equipe pode fazer é entregar o controle do jogo ao adversário, isto é, defender com todos os jogadores sem nem sequer buscar o contra-ataque, ou atacar com muitos jogadores porque a equipe está perdendo. Na maior parte dos jogos, as equipes que estão controlando o jogo vencem a partida, pois assumem a responsabilidade de decidir o resultado e obrigam o adversário a tomar decisões sem espaço de tempo para pensar. Muitas vezes, ouvimos fãs do futebol explicar que o segredo de uma equipa é o meio-campo. Vejamos, o esquema tático com mais meio campistas atualmente é o 3-6-1. Com seis jogadores fazendo parte do segredo para vencer, os outros cinco jogadores servem para quê? É um absurdo pensar desta forma, pois todos os jogadores participam nos quatro momentos de jogo Não importa se a equipe está defendendo ou  atacando, importa é que a equipe defenda como quer defender e ataque como quer atacar, o que nós chamamos de dominar o jogo.

        Quando a equipe adota uma postura defensiva, deve escolher um método ofensivo que seja eficaz com essa postura defensiva. Defender concentrado, com as linhas baixas, é uma excelente opção para escolher o contra-ataque como método ofensivo e determinar como vai defender para contra-atacar. Posicionar duas linhas de jogadores responsáveis por recuperar a posse de bola em determinada zona do campo, e deixar três jogadores livres e prontos para levar a bola até o gol adversário é uma excelente combinação posicional entre o momento defensivo e a transição ofensiva. Quando recuperar a posse de bola, a equipe está mais que preparada para contra-atacar sem perder tempo. E porque os jogadores não perdendo tempo para decidir o que fazer com a bola,  a eficácia do contra-ataque será maior.

        Aprofundando, existe uma relação de causa/efeito entre os vários momentos de jogo. O momento defensivo e o momento ofensivo dependem das transições, e as transições dependem dos momentos ofensivo e defensivo. Quando uma equipe consegue ligar os vários momentos de jogo, diminui o tempo que demora para passar de um momento para o outro, assim como melhora a eficácia dessa mudança de postura. Equipes sem estas capacidades que defrontam outras equipes com esta capacidade em mudar entre os momentos de jogo, geralmente sentem imensas dificuldades, pois estão competindo contra equipes que controlam a partida. Por sua vez, uma equipe que controla a partida, isto é, defende e ataca como quer e pretende, assume maiores possibilidades de vencer a partida. A questão não se foca apenas em atacar pontos fracos do adversário e defender os pontos fracos da própria equipe, mas em controlar esses momentos a nível de decisão e estratégia, mesmo que isso signifique esperar para recuperar a posse de bola ou esperar para finalizar.


       Razão n.º 3
    
Escolher uma estratégia de jogo significa escolher a probabilidade de obter um resultado. Mesmo que seja a melhor estratégia do mundo, também falha.

       Atualmente, o leque de opções e estratégias disponíveis para as equipes é muito variado e dificilmente enfrentamos duas equipes com a mesma estratégia de jogo num período curto de tempo. Não me refiro a estratégia enquanto posição de ataque ou ataque rápido, nem a defesa por zona ou homem a homem. Refiro-me à forma de como a equipe age ou reage quando ataca ou defende. Diferentes planteis tem diferentes jogadores, logo tem também diferentes caraterísticas para jogar. Por esta razão, o mesmo modelo de jogo não serve para duas equipes diferentes, pois estas não tem as mesmas características.

        Uma vez que o jogo é realizado em espaço amplo por cerca de vinte e dois jogadores, é praticamente impossível determinar o que vai acontecer durante a partida de futebol. Junte se a isto, ao escolher uma estratégia para um jogo, o treinador avalia os pontos fortes e fracos da própria equipe e do adversário. Este será o ponto de referência para escolher uma estratégia para o jogo, uma vez que o treinador procura usar os pontos fortes da própria equipe contra os pontos fracos do adversário, procurando aumentar as hipóteses de vencer a partida. Quanto mais forte for a equipe em determinada situação e mais fraco for o adversário nessa mesma situação, mais fácil será para a equipe ultrapassar o ponto fraco do adversário, logo, a probabilidade de ultrapassar esse ponto fraco é maior.

       Esta lógica de pensamento levou vários treinadores a observar adversários e enviar observadores técnicos para analisar, procurando conhecer os pontos fracos deste e fazer coincidi-los com os pontos fortes da sua equipe. Muitos treinadores compreendem que podem tirar partido da observação dos adversários e entrar em campo com estratégias de maior probabilidade de obter sucesso. No entanto, muitos treinadores não dispõem deste recurso, o que dificulta o trabalho realizado. Observações de adversários pode ser uma excelente porta de entrada para treinadores novatos no futebol, uma vez que a capacidade de treinar é tão importante como a capacidade em observar o jogo. O treinador que observa bem o jogo sabe o que a equipe precisa e quais são as caraterísticas do adversário. O treinador que treina bem sabe como aplicar os processos como pretende. Observar um ponto fraco no adversário e treinar um ponto forte que coincide com esse ponto fraco significa obter clara vantagem no controle do jogo e na probabilidade de vencer a partida

domingo, 25 de agosto de 2013

Confira 8 leis estranhas para alcançar o sucesso


        Todos nós sabemos que a organização tática não é o centro do futebol. Existem vários fatores que qualquer treinador depende para ter sucesso no futebol, vamos enumerar neste artigo através de algumas leis gerais, estranhas, ou como preferirem chamar. Pessoalmente considero estas leis importantes, uma vez que, se apenas nos concentrarmos na organização tática, vamos esquecer o treino, vamos esquecer o clube, vamos esquecer os torcedores, e tudo isso é importante. Seguiremos então com o artigo


       Primeira lei estranha: jogue para os adeptos
       No futebol, para muitos treinadores e jogadores, a última coisa que querem é enfrentar os torcedores em fúria. Todos preferem ser motivados pelos torcedores do que ser assobiados, isso é certo. Mas que vantagem podemos tirar disso, algo do tipo, usar os torcedores para depois lhes agradecer?
       Os torcedores são os patrões do futebol. A fama e o sucesso depende deles, sejam jogadores, treinadores, presidentes, diretores e até mesmo os empresários. No que diz respeito a quem manda no futebol, eu coloco os torcedores acima dos empresários, porque um clube sem torcedor é um clube por onde os empresários não vão interessar. Então, o treinador deve criar uma equipe para jogar para os torcedores. Vai haver momentos onde é preciso ganhar, e momentos onde é preciso dar espetáculo, fazendo mexer as emoções do público, e com isso, fazendo o público apoiar os jogadores. Não há nada melhor para um jogador do que entrar num estádio e ver milhares de pessoas a apoiá-lo. Mostre o valor da equipe aos torcedores, e os torcedores se encarregarão de motivar os jogadores em todos os jogos.



       Segunda lei estranha: é obrigatório ter inimigos
       E se o leitor for dono de um grande orgulho, esta lei pode ser uma verdadeira arma para atingir o sucesso. Parece complicado, mas na verdade é muito fácil perceber isto. E vai ser rápido de explicar.
       Imagine que existe um treinador, que está sempre em guerras. Mas, como esse treinador é super orgulhoso, não se quer deixar abater, quer sair sempre por cima dessas guerras, e por isso procura sempre os melhores resultados possíveis. Já imaginou esse treinador? Então compreendeu que esse treinador quer ser melhor que os inimigos ou treinadores adversários, e por isso tenta sempre fazer mais e melhor, obrigando-se a si mesmo a evoluir. Agora vou apenas relembrá-lo que esse treinador é José Mourinho, conhecido como arrogante, com muitos inimigos, mas a sua qualidade está mais que provada.

       Terceira lei estranha: tenha mais atitude e menos palavra
       Não me recordo de ouvir falar de um treinador de sucesso fosse um mestre a explicar teoria. Existem sim, muitos treinadores com garra para vencer, que entram num estádio com milhares de pessoas, sem medo, apenas pensando naquilo que vão fazer e como vão fazer. Logicamente que um treinador não vai entrar num estádio e explicar através dos altifalantes qual é a sua estratégia. Treinadores de sucesso, na realidade, impõe-se no treino, chegam mais cedo que os jogadores para preparar o treino, saem mais tarde para analisar rendimentos dos jogadores, adversários e por aí fora. A atitude de mostrar que sabe e mostrar que faz, conquistará mais os jogadores do que falar que sabe fazer.

       Quarta lei estranha: seja querido pelos jogadores
       Um grande líder é sempre querido, isso não podemos negar de forma alguma. Tudo o que um treinador tem de fazer, enquanto líder de um grupo, passa por duas etapas. Em primeiro lugar, tem de mostrar que tem qualidade para vencer e para ser seguido. Os adultos têm uma estranha mania de julgarem que já sabem, e irão testar o treinador, até ao limite se for preciso, principalmente se forem profissionais. Então, nunca se deixe abater nesta fase, mostre que sabe de futebol (mostre em vez de falar), e o mais difícil já passou. Num segundo ponto, mantenha a sua atitude de líder, protegendo, guiando e aconselhando os jogadores. Faça com que você seja único para eles.



       Quinta lei estranha: seja imprevisível
       Tanto nas suas ações como na sua estratégia, nos dias de hoje é fundamental saber jogar com o seu plantel e com o que está fora dele. O Scouting está assumi grandes proporções e já é uma ferramenta muito forte das melhores equipes. Neste sentido, prepare a sua equipe para vencer, mas tenha sempre um plano B. Faça uma equipe esperar que você jogue de uma forma, mas jogue de outra totalmente diferente, desde que a sua equipe seja capaz, claro.

       Sexta lei estranha: seja coerente
       Não adianta de forma alguma assumir algo que não vai fazer ou fazer algo que não assumiu. Pior que isso é fazer algo que não é seu nem devia ter assumido, passando por cima de alguém. Isso lhe trará horrendas consequências. Decida-se pelo que quer fazer, trace um rumo para alcançar esse objetivo, e evite atalhos ou mãos alheias que não conhece. Nunca devemos aceitar interferências de desconhecidos para chegar ao nosso destino.

       Sétima lei estranha: tenha ousadia
       Se tem um objetivo em mente, não seja tímido. Tenha coragem e caráter para alcançar esse objetivo. Imagine que pretende ser campeão numa pequena competição que vai enfrentar, com o objetivo de preparar o plantel para uma competição maior. Tenha atitude de preparar cada jogo, de ensinar cada jogada e pedir o que pretende aos jogadores. Colocar todos os jogadores em campo e esperar que eles resolvam o seu problema ou ambição, isso nunca trará resultado e a sua carreira termina.

       Oitava lei estranha: evite seguir o seu ídolo
       Todos nós temos os nossos ídolos e queremos seguir os seus passos, assim como aprender com eles. Isso é totalmente lógico. Mas isso é um dos maiores erros que pode ser cometido. Acontece que nós e o nosso ídolo vivemos numa realidade diferente. Ele faz coisas para ultrapassar os obstáculos da realidade dele, e nós devemos fazer coisas para ultrapassar os obstáculos que são nossos, não os obstáculos que não existem na nossa realidade. O que podemos fazer, sem dúvida alguma, é aprender com eles, ver o que eles fazem em cada obstáculo que encontram e como fazem para ultrapassá-lo. Mas nunca devemos deixar de ser nós mesmos e evoluir pelos nossos meios a tentar alcançar os nossos objetivos. Aprender sim, seguir não, isso nunca.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

As trocas de posição no futebol - Futebol Total



       Recentemente, analisei uma equipe que praticava um futebol bonito e técnico. A linha defensiva sempre próxima do meio-campo o que permitia a criatividade aos jogadores mais adiantados de tal forma que à equipe atacou durante os noventa minutos. Essa criatividade foi causada por constantes trocas de posição que nós chamamos futebol total.




        O termo futebol total surgiu nos anos 70 no Ajax e depois na seleção nacional da Holanda pelas mãos de Rinus Michels, cujo jogador com maior destaque nesta forma de jogar foi o holandês Johan Cruif. O sistema de Rinus Michels introduziu as trocas de posições no futebol, melhorando imenso a dinâmica ofensiva e defensiva em simultâneo. Hoje, dificilmente encontramos equipes com tantas posições como a laranja mecânica de Rinus Michels, mas ainda hoje se mantêm esse processo em imensos processos de jogo.

        O que são trocas de posição?

        Durante a troca de posições, dois jogadores ocupam a posição um do outro, mesmo que seja por breves momentos. Na maior parte das situações, estas trocas de posição duram menos de um minuto, uma vez que o jogador que se soltou da posição, que geralmente parte recuado, serve apoio em zonas mais ofensivas enquanto o jogador que ocupa a posição defensiva recupera energias para investir noutra situação que se proporcione mais tarde. Existem três tipos de trocas de posição:

  • Por ordem do treinador: depende da análise que a comissão técnica faz do jogo e dos objetivos do treinador, como fazer descansar um jogador ou confundir a marcação da equipe adversária. Geralmente, os jogadores trocam e fixam-se na nova posição
  • Por iniciativa dos jogadores: depende da habilidade técnica e táticas dos jogadores. Uma vez que são situações que surgem sem ordem do treinador e devem ser os jogadores que analisam a situação, como um contra-ataque ou uma situação de 2x2 ou 3x3
  • Por seguimento do modelo de jogo: praticamente, são situações previamente estudadas e que fazem parte da forma de jogar da equipe.

        Independentemente do tipo de trocas de posição, todos eles devem ser treinados antes de aplicar no jogo, evitando correr riscos desnecessários, pois as trocas de posição podem originar espaços livres com facilidade. Uma das grandes vantagens em treinar as trocas de posição, é a capacidade de tomada de decisão e velocidade de ação que os jogadores atingem, que é especialmente benéfico em ultrapassar barreiras no centro de jogo.

        Características necessárias para inserir trocas de posição

        Antes de inserir as trocas de posição na equipe, o treinador deve estar ciente de quais são os riscos deste método e criar bases para a equipe se manter em segurança:

  • Os jogadores que trocam de posição devem ser capazes de atuar na nova posição com habilidade - É extremamente importante que os jogadores sejam versáteis e consigam efetuar as funções definidas com facilidade. Caso não sejam capazes de o fazer, a equipe tem menos probabilidade de pontuar e menos probabilidade de sofrer.
  • Não permitir espaço, principalmente se a troca for efetuada numa zona baixa do terreno - por vezes, as trocas de posição deixam espaço livre que demora algum tempo a fechar, como quando sobe um médio ou um lateral. É necessário garantir que esse espaço não está totalmente livre. Sempre que um jogador avança no campo e outro recua, por vezes deixam espaços livres. É necessário garantir que esses espaços estão protegidos.
  • Características individuais no processo ofensivo - vários processos de jogo são construídos em função das características dos jogadores e uma troca de posição pode pôr em causa um processo completo devido à diferença das características dos jogadores. Assim, a equipe deve estar ciente desta realidade, e no modelo de jogo deve estar incluído um "plano b" para quando os jogadores trocarem de posição.

        Existem várias formas de levar uma equipe até zonas próxima da baliza e as trocas de posição é um dos processos para esse efeito. Vários treinadores adotam as trocas de posições como processo fundamental no seu modelo de jogo, seja para manter a equipe atacando, melhorar a dinâmica defensiva e ofensiva, confundir o adversário. Quando dois jogadores trocam de posição, o espaço deve ser sempre fechado para o caso dos jogadores perderem a posse de bola. É muito arriscado quando um lateral avança e troca de posição com o meia extremo e é ainda mais arriscado quando avança um jogador do meio campo. Quanto mais perto do meio campo for efetuada uma troca de posição, maior deve ser a segurança criada pela equipe, uma vez que o corredor central é o caminho mais perto do gol e se o adversário recuperar a bola, a equipe pode não recuperar posições a tempo.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Três lições que devemos aprender com José Mourinho

       Desde que comecei na estudar futebol, deparei-me com a forma como existem filosofias aplicadas ao desporto, à forma como é estudado e como são procuradas respostas aos constantes desafios encontrados. Sendo o futebol um desporto coletivo, é necessário envolver cada jogador numa forma de jogar que garanta benefício para os demais colegas da equipe. Este modelo de jogo baseado no esquema tático 4-3-3 é um excelente exemplo de como são feitas essas ligações. Esta ligação só é possível se a equipe praticar as habilidades individuais em prol do coletivo, necessitando um do outro (individual e coletivo) para se manifestarem com bons resultadosA periodização tática encontrou resposta para essa questão, cujas habilidades individuais se desenvolvem em benefício do coletivo e as habilidades coletivas se desenvolvem em benefício do atleta.




        Assim, a periodização tática é uma das grandes lições de José Mourinho. Em 2006, o mesmo treinador afirmou: "Não acredito no futebol de hoje, em equipes bem fisicamente e outras mal. Há equipes, adaptadas ou não, à forma de jogar do seu treinador. O que nós procuramos é que a equipe se consiga adaptar ao tipo de esforço que a nossa forma de jogar exige". Esta frase representa a importância que a periodização tática tem para José Mourinho.

      Primeira lição: valorização da periodização tática

       Não existe melhor forma de treinar do que a periodização tática, pois esta eleva as caraterísticas individuais em função do coletivo. O futebol é um desporto coletivo onde as habilidades coletivas vencem mais situações de jogo do que as habilidades individuais. Então, o treino deve ser concentrado nas habilidades coletivas através da evolução individual. Ao treinar o passe, o posicionamento, a antecipação, movimentações e enquadramento com os colegas, o atleta está desenvolvendo o seu jogo coletivo  a diversificar e dinamizar os pontos fortes da equipe.       
Segunda lição: personalidade forte

       Existem milhões de pessoas por todo mundo que desvalorizam o conhecimento nem propõem grandes objetivos para a vida. O simples bem-estar, a acomodação e a desvalorização do grupo ou empresa onde trabalha leva verdadeiras multidões a gastar mais tempo esperando por resultados do que a trabalhar para os ter. Pouco se importam com os que tem e não buscam arranjar uma forma de terem mais e melhor. Desde cedo, José Mourinho escolheu ser treinador, e organizou a sua vida para tal. Quando o treinador português tinha a minha idade, chegou a ser desvalorizado por escolher ser treinador, provavelmente, por alguém que queria ser treinador mas não queria fazer nada para o ser. Hoje, é considerado um treinador incomum, com  ideias próprias, objetivos em mente, verdadeiramente profissional e com índices de trabalho muito elevados que o leva a liderar grandes equipes e ganhar títulos importantíssimos por onde passa devido ao seu elevado grau de profissionalismo. Aquilo que quero dizer que é necessário sermos muito fortes no nosso interior, persistentes e resistentes ao nosso exterior, isto para, no mínimo, haver a hipótese de alcançar o desejado sucesso.              
Terceira lição: carisma

       Vencer como Mourinho vence não está ao alcance de alguns dos melhores treinadores do mundo e isso é um fato. Criar popularidade como Mourinho criou também não é para todos. Pessoas carismáticas são aquelas capazes de de destacar no meio da multidão e que causam fortes impressões nas pessoas que os rodeiam. Não será por acaso que José Mourinho é muito adorado quanto odiado, pois pessoas com elevado carisma são também pessoas que são alvo de imensas críticas.

       Você sabe como é que muitos colegas seus tem carisma elevado?

       Todos nós nos revemos nos nossos ídolos e nas pessoas que seguimos como exemplo. Irmãos mais novos se revêem nos mais velhos, apaixonados por música revêem-se nos seus cantores favoritos e apaixonados por futebol revêem-se nas estrelas de futebol. É até deste feitio que se formam jogadores, tentando imitar os melhores jogadores do mundo. Pessoalmente, José Mourinho é um dos meus exemplos a seguir. Qual é o seu exemplo ou ídolo em que se revêem para organizar a sua vida e os seus objetivos?